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Segunda-feira, 06/09/2010 14:43:13
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Geográficos

Geologia regional
Os rios Tejo e Sado, na sua constante interligação com o oceano, parecem ter tido, ao longo do tempo, grande influência na origem e transformação das formações geológicas existentes, quase exclusivamente sedimentares, de que são exemplos, a argila, as areias, os arenitos, os conglomerados (rocha sedimentar clástica ou detrítica, composta de fragmentos arredondados, de diâmetro superior a 2 mm, unidos por substâncias sílicas ou calcárias), as margas e calcários de períodos diferentes e distintas composições e texturas.
Estão também representadas na Península, com dominância para as planuras mio-plicénicas, as orlas junto aos dois rios e face ao mar, com formações holocénicas de aluviões, dunas e areias eólicas. Existem igualmente os terrenos meso e paleozóicos, nas colinas interiores e nas serras do Maciço Arrábico.

Relevo   
O relevo da Península é pouco montanhoso e é essencialmente dominado pelos acidentes orográficos atrás descritos, contudo destacam-se em altitude:
- As arribas de Almada e da Caparica, atingem pouco mais de 100 m;
- O Maciço Arrábico, desde o Cabo Espichel (100 m), prolonga-se até às serras do Risco (380 m), Arrábida (500 m, no Alto do Formosinho), S. Luís (395 m), S. Paulo (215 m), S. Francisco (275 m), Louro (224 m) e Palmela (232 m);
- A serra de Bombel atinge um máximo de 135 m, nos limites entre o Montijo e Vendas Novas.

Bacias hidrográficas e cursos de água
A bacia hidrográfica do Sado domina a parte sul da Península, daí a ligação estreita entre a imagem da região e este rio.
Os principais afluentes do Sado, da nascente para a foz, são:
- Ribeiras do Roxo, Figueira, Odivelas, Xarrama, Algalé, Santa Catarina (com as de S. Cristóvão e das Alcáçovas), S. Martinho e Marateca – na margem direita;
- Ribeiras de Campillhas, Corona, Grândola e Comporta – na margem esquerda;
As restantes bacias hidrográficas regionais são as do Tejo, a norte, e as pequenas ribeiras que drenam directamente para o Atlântico.
Os principais afluentes do Tejo são:
- Ribeiras de Canha, Rio Frio, Moita e Coina.
Na fachada atlântica destacam-se de norte para sul:
- Ribeiras da Apostiça, da Ferraria e da Aiana, drenando para a Lagoa de Albufeira.

Clima
No que respeita aos aspectos climáticos, devido à proximidade ao litoral atlântico e à irregularidade da linha da costa, que chega a penetrar profundamente no oceano, a região apresenta uma variação por vezes acentuada de temperatura.

 

Temperatura
mínima
média do
mês mais frio

N.º anual de dias
c/ temperatura

mínima inferior a 0ºC

Inverno tépido

Acima de 6ºC

Menos de 2

Inverno moderado

Entre 4ºC e 6ºC

Entre 2 e 10

Inverno fresco

Entre 2ºC e 4ºC

Entre 10 e 30




Fonte: Património Natural do Distrito de Setúbal – Pré – Inventário, AMDS, 1987, página 17

 

Temperatura
máxima média

do mês mais quente

N.º anual de dias
c/ temperaturas

Máximas  superiores a 25ºC

Verão fresco

Acima de 23ºC

Menos de 20

Verão moderado

Entre 23ºC e 29ºC

Entre 20 e 100

Verão
quente

Entre 29ºC e 32ºC

Entre 100 e 120

Verão
muito quente

Acima de 32ºC

Mais de 120



O território pode ainda ser referenciado devido à ocorrência de nevoeiros de vários tipos:
- Litorais, designados também por advecção, que ocorrem especialmente durante a manhã, mas que se podem prolongar durante todo o dia.
-  Nas baixas continentais, também designados por nevoeiros de irradiação, que ocorrem especialmente no Outono, Inverno e Primavera, em geral durante a noite e de manhã muito cedo.

Pluviosidade
A concentração de pluviosidade nesta região, traduzida pelo número de dias de ocorrência de chuva por ano, varia de um mínimo de 70 dias no cabo Espichel, até um máximo de 100 dias na região da Moita e na serra de S. Luís.

Tipologia dos solos
No tipo de solos dominam os pódzois, resultantes das areias e arenitos mio e pliocénicos, associados a outros tipos, especialmente os litossolos e regossolos. Os últimos encontrados na orla estuarina da península de Montijo e ainda numa faixa, em arco, periférica dos terrenos que drenam para a Lagoa de Albufeira e para o sapal da Arrentela.
Nas orlas de alguns sapais, casos do Seixal, Montijo e Setúbal, existem cambissolos êutricos com origem em rochas sedimentares, sendo do mesmo tipo os solos que constituem as baixas de Campilhas e do Alto Sado emarginam os maciços da Arrábida norte. Existem também cambissolos, mas cálcicos, também no maciço Arrábico, mas na faixa que a norte do Cabo Espichel vai até à Maçã (a norte de Sesimbra).
Na Marateca ocorrem também cambissolos, neste caso crómicos, contudo dominam os luvissolos.

Nota de revisão: Linguagem muito técnica, seria de desdobrar esta informação numa linguagem perceptível ao cidadão comum

Zonas ecológicas
As condições geomorfológicas, climáticas e a nível dos solos, determinam a existência de zonas ecológicas na Península onde potencialmente se desenvolvem vários espécimes.
Fitoclimáticas – Zonas ecológicas influenciadas pelo clima e vegetação:
• Atlantemediterrânea – Zonas menos elevadas da parte ocidental da Península de Setúbal, com presença do zambujeiro (Olea europaea var.sulvestris), pinheiro bravo, pinheiro manso (Pinus pinea), carvalho lusitano e sobreiro (Quercus suber).
•  Atlantemediterrânea-submediterrânea – Ocupa as zonas mais baixas da parte central da Península de Setúbal e uma larga faixa das áreas próximas do litoral, do Sado até à serra do Cercal, com existência de zambujeiro, pinheiros bravo e manso, carvalho lusitano e sobreiro.
•  Submediterrânea – Situação que predomina na região, que ocupa de norte a sul, em faixa larga, quase toda a parte oriental. A vegetação característica é semelhante à zona ecológica anterior, mas aqui aparece também a azinheira (Quercus rotundifolia);
•  Submediterrânea-iberomediterrânea – Domina nas áreas mais interiores da região, caracterizando-se pela ocorrência de piorro (Juniperus oxycedrus), zambujeiro, azinheira, sobreiro.
Edafo-climáticas – Zonas ecológicas influenciadas, além do clima, pelos solos e água:
•  Calco-mediterrâneatlante-atlantemediterrânea – Pequena faixa de cumes interiores da serra da Arrábida, onde o substrato calcário é determinante em termos ecológicos. Predominam os zambujeiros, o carvalho lusitano, a azinheira e o carrasqueiro (Quercus coccifera).
•  Calco-atlantemediterrânea – Zonas de média altitude do Maciço Arrábico, caracterizando-se pela existência de vegetação descrita no ponto anterior.
•  Calco-mediterrânea-atlantemediterrânea – Pequenos retábulos na serra da Arrábida, nas condições mais típicas de Mediterrâneo, onde predominam o palmito (Chamerops humillis), a alfarrobeira (Ceratonia síliqua), o zambujeiro, a amendoeira (Prunus dulcis), o carrasqueiro, o carvalho lusitano e a azinheira.
•  Psamo-atlantemediterrânea – Zonas costeiras onde os sistemas dunais são determinantes como factores ecológicos, onde prosperam os pinheiros bravo e manso.
•  Aluvio-Atlantemediterrânea – Nas condições ecológicas, onde é determinante a presença dos aluviões, situadas nas orlas e trechos lentos e baixos dos rios, e outros cursos de água mais importantes, e caracterizadas pela ocorrência de uma vegetação rípicola ou ribeirinha típica.
•  Halo-mediterrânea – Ocupando as áreas designadas como sapais ou salgados, onde é típica a vegetação halofítica.


Recursos do subsolo

Minerais

•  Areias brancas – Coina
•  Areias indiferenciadas – Diversas áreas da Península
•  Cascalheiras pliocénicas – Fernão Ferro e Fonte da Telha
•  Argilas ou barros vermelhos – Vale de Pateira, Brejos de Azeitão, Zambujal de Baixo, Santana e sul de Palmela
•  Diatomito – Alfarim, próximo da Lagoa de Albufeira (Vales da Apostiça e Ferrarias) e na Comporta
•  Gesso – Sesimbra, Santana, Palmela e praia da Califórnia
•  Calcário malm da Arrábida – Explorado desde Setúbal ao Cabo Espichel
•  Calcários cenozóicos – de fácies marinha – A norte da Serra da Arrábida
•  Margas e calcários margosos do Outão – Usadas na Secil
•  Brecha da Arrábida – Calhariz, serra do Risco e do Corte do Fojo, Formosinho, Viso e nas serras de S. Luís e dos Gaiteiros
•  Lignites – Vale da ribeira da Apostiça
•  Formações auríferas (ouro) – Exploradas na Península de Setúbal esporadicamente entre 1814 e 1819

Recursos hídricos subterrâneos

Aquíferos

•  Produção inferior a 50 m³ (dia/km²) – Zonas das serras de Grândola e do Cercal.
•  Entre 50 e 100 m³ – Zonas do Maciço Arrábico e Alto Sado.
•  Superior a 400 m³ – Zonas de Sines ao Baixo Sado e até à Península de Setúbal.

Águas minero-medicinais

•  Fonte do Paraíso (Caparica - Almada) – Água cloro-sulfatada, sódica, cálcica e magnesiana.
•  Fonte dos Casais da Charneca (Caparica - Almada) – Água hipotermal (17,7º), cloretada sódica e bicabornatada cálcica, levemente sulfatada e radioactiva.
•  Fonte do Monte Jesus (Quinta do Monte Jesus–Setúbal) – Água bicabornatada cálcica e cloretada sódica, sulfatada, potássica, levemente magnesiana, férrea e com propriedades radioactivas, que brota de tufos calcários e margosos.
•  Água da Bela Vista (S. Sebastião - Setúbal) – Água superficial captada nos arenitos considerados do pliocénico, localizados próximo da Pedra Furada. Hipotermal (13º) e cloretada-sódica.
•  Herdade das Santas – Água de natureza hipossalínica, com reacção ácida e muito doce, cloretada-sódica e um pouco silicatada.
•  Fonte da Pipa (Cacilhas).
•  Fonte da Romeira (Alfeite)
•  Fonte da Telha (Caparica) – Captada na base da arriba.


Recursos hídricos de superfície

Albufeiras
(Neste ponto consideraram-se as existentes ao longo da bacia do Sado)

Albufeira de Campilhas – Na bacia do Sado, com barragem na ribeira de Campilhas.
Capacidade – 27,5*106 m³ de água
Área – 417 ha
Comprimento – 3,5 km
Altura da barragem – 35 m
Objectivo – Regadio de terras agrícolas, mas também ocupação recreativa (banhos, pesca e navegação à vela e a remo).

 Albufeira de Vale do Gaio – Na bacia do Sado, com barragem no rio Xarrama.
Capacidade – 63*106 m3 de água
Área – 550 ha
Comprimento – 11 km
Objectivo – Rega, mas também ocupação turístico-recreativa (passeios a pé, motorizados e em barco à vela ou a remos, pesca desportiva e caça).

Albufeira de Pego do Altar – Na bacia do Sado, mas com barragem na ribeira de Santa Catarina.
Capacidade – 94*106 m³ de água
Área – 655 ha
Comprimento – 15 km
Altura da barragem – 63 m
Objectivo – Rega, mas também pesca desportiva.

Albufeira do Morgável – Na bacia do Sado e com barragem na ribeira de Morgável.
Objectivo – Abastecimento de água a Sines, daí que não sejam autorizadas outras actividades


Cavernas, grutas e lapas

•  Grutas do Casal Pardo ou de Palmela, localizadas na Quinta do Casal Pardo, concelho de Palmela. Tiveram ocupação pré-histórica.
•  Gruta da Pena, no lugar da Pena, freguesia da Anunciada, concelho de Setúbal.
•  Grutas da Rotura, situadas na escarpa calcária entre Valtão e os Bonecos-Sítio da Rotura, arredores de Setúbal. Tiveram ocupação pré-histórica.
•  Algar do Formosinho, localizada junto ao monte do Formosinho, Vila Nogueira de Azeitão, concelho de Setúbal.
•  Algar do Jogo dos Mouros - Localizada no Cabeço de Olvide, Vila Nogueira de Azeitão, concelho de Setúbal.
•  Algar do Vale Bom – Situada em Vale Bom, junto ao caminho que vai para a Senhora do Carmo, saindo no lugar de Água Branca, na serra da Arrábida.
•  Lapa do Médico – Sobranceira ao Portinho da Arrábida, na encosta do convento e abaixo deste. Considerada de grande interesse faunístico, possui estalactites e estalagmites.
•  Lapa da Boa Vista – Situada em frente à Fonte Solitária.
•  Lapa do Creiro, entre o Portinho da Arrábida e o Outão.
•  Lapa do Forno das Feiticeiras – Localizada próximo do Outão.
•  Lapa da Nazaré ou da Ovelha – Localizada no sítio da Nazaré, à esquerda da estrada Azeitão/Portinho da Arrábida.
•  Lapa de Santa Margarida – Encontra-se à beira-mar, junto ao Portinho da Arrábida. Possui estalactites e estalagmites.
•  Lapa ou Gruta do Fumo – Fica situada à direita das pedreiras da Azóia, na primeira escarpa calcária. Teve ocupação pré-histórica e está classificada como imóvel de interesse público.
•  Lapa da Greta, entre Alpertucho e o Risco.
•  Lapa dos Morcegos – Localizada na arriba entre Alpertucho e Sesimbra. Considerada de extremo interesse zoológico pelo número de espécies aí existentes.
•  Lapa do Bugio – Situada abaixo do lugar da Azóia (freguesia do Castelo/Sesimbra), na primeira escarpa calcária. Teve ocupação pré-histórica.
•  Lapa Furada ou do Piolho – Situada perto da anteriormente descrita, crê-se igualmente que teve ocupação pré-histórica.
•  Gruta do Zambujal – Descoberta na pedreira com o mesmo nome, próxima da estrada do Cabo Espichel. É a maior gruta que se conhece a sul do Tejo e está classificada através de diploma legal.
•  Grutas do Forte do Cavalo – Situadas na escarpa do porto de pesca de Sesimbra, já destruída.
•  Lapa da Serra de S. Luís, situada nas proximidades do Castro da Rotura.
•  Grutas artificiais dos Capuchos – Localizadas na serra de S. Luís, perto do Convento. Tiveram ocupação pré-histórica.


Anexos:

Caracterização da Península de Setúbal

CaractPeninsula.pdf
 




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