“(…) em vésperas do 25 de Abril, Portugal era um país anacrónico. Último império colonial do mundo ocidental, travava uma guerra em três frentes africanas solidamente apoiadas pelo Terceiro Mundo e fazia face a sucessivas condenações nas Nações Unidas e à incomodidade dos seus tradicionais aliados.
Para os jovens de hoje será talvez difícil imaginar o que era viver neste Portugal (…), onde era rara a família que não tinha alguém a combater em África, o serviço militar durava quatro anos, a expressão pública de opiniões contra o regime e contra a guerra era severamente reprimida pelos aparelhos censório e policial, os partidos e movimentos políticos se encontravam proibidos, as prisões políticas cheias, os líderes oposicionistas exilados, os sindicatos fortemente controlados, a greve interdita, o despedimento facilitado, a vida cultural apertadamente vigiada.” (de António Reis - Portugal 20 Anos de Democracia, retirado do site http://www.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Cronologia)
25 Abril de 1974 é a data do levantamento militar dos jovens capitães que haviam participado na Guerra Colonial, acompanhado por um movimento popular, que restituiu a liberdade, a confiança e vontade aos portugueses. Uma data também conhecida como o dia da Revolução dos Cravos e feriado nacional.
Na Península de Setúbal, este acontecimento foi vivido com a intensidade de quem tinha lutado (muitos homens e mulheres a partir da clandestinidade) com todas as suas forças para alterar radicalmente o rumo de um país que durante 48 anos tinha oprimido e reprimido os cidadãos, as ideias, a vida. Nas páginas seguintes apresentamos alguns episódios e pessoas marcantes naquele que foi o primeiro dia do resto das nossas vidas…